17 de jun de 2010

A Mona Lisa


A história da pintura não é clara e foi alvo de muita discussão. De acordo com Vasari, a modelo é uma jovem mulher florentina (Mona) Lisa, casada com Francesco del Giocondo e por isso ficando conhecida como "La Gioconda". O trabalho provavelmente foi feito durante a segunda estada de Leonardo em Florença e ele gostou tanto de sua obra que a carregou consigo para a França, onde foi vendida à Francisco I. Há controvérsias sobre esta teoria para a origem do quadro, pois Leonardo sempre mantinha registros dos modelos utilizados nas pinturas e não há um para a Mona Lisa. Outra teoria é a de que a Mona Lisa teria sido um autoretrato de Leonardo, tese apoiada através da digitalização dos dois retratos e superposição das imagens, mostrando claramente que os traços faciais da Mona Lisa se encaixam nos de Leonardo da Vinci. Algumas curiosidades: Mona Lisa foi retratada sem sobrancelhas, como era costume entre as mulheres da época renascentista; os cantos da boca de Mona Lisa são indefinidos, por isso se diz que ela tem um "sorriso enigmático"; a posição das mãos de Mona Lisa serviu de modelo para pintores durante muitos anos; no fundo da pintura, Da Vinci utilizou a técnica da perspectiva aérea, novidade para a época.

Recomendação do dia: O livro "Teoria Artística na Itália 1450-1600", de Anthony Blunt - ed.Cosac & Naify, uma história social do pensamento artístico na Itália renascentista.

4 de jun de 2010

A Princesinha do Mar





A primeira lenda que se conhece sobre Copacabana conta que duas baleias teriam aparecido na praia, no final de agosto de 1858. Entre os dias 22 e 23 daquele ano, centenas de pessoas - com o imperador Pedro II e sua comitiva à frente - deslocaram-se para vê-las. Os mais ricos seguiam de coches, puxados a cavalo, e levavam lanches e barracas para se acomodarem. Outros iam a cavalo, ou mesmo a pé. As baleias não estavam mais lá; apesar disso quem ficou na praia divertiu-se muito, num piquenique que durou três dias e três noites, começando aí o namoro da população do Rio de Janeiro com aquele areal inóspito e insalubre.

Recomendação do dia: O livro "Cocheiros e Carroceiros", de Ana Maria da Silva Moura, ed.Hucitec, que trata da vida e trabalho dos cocheiros e carroceiros que, no final do século XIX, percorriam o Rio de Janeiro transportando cargas, servindo as Companhias de Comércio. Num mundo de senhores e escravos, a autora revela a história desses homens livres e pobres que faziam parte da construção coletiva de uma cidade que se modernizava.

3 de jun de 2010

O Grande Terremoto


Em 1º de Novembro de 1755, às 9:45 da manhã, começaram a sentir os habitantes de Lisboa, com espanto e angústia, que o chão lhes tremia por debaixo dos pés. O tremor fora antecedido de um ruído tumultuoso que vinha do interior da terra e que, por si só, não seria assustador, de acordo com a descrição de um contemporâneo que o comparou ao «de muitos coches correndo». Em breves instantes o que se iniciara por uma sacudidela lenta, cresceu com grande intensidade. Era um sábado, dia de Todos-os-Santos, estando as igrejas a transbordar de fiéis que assistiam às missas, o que foi causa de grande mortandade. O abalo durou cerca de sete minutos e transformou, em tão curto tempo para tão desoladora mudança, uma cidade cheia de animação e de movimento, num montão de ruínas. Por volta das 11 da manhã, as vagas de um tsunami gerado pelo choque do tremor chegaram a Lisboa. As águas do Tejo inicialmente desceram, levando consigo os barcos ancorados junto ao cais. Em seguida, começaram a subir de nível, galgaram as paredes do cais e avançaram cidade adentro uns 300 a 400 metros. Segundo testemunhos da época, a altura da onda resultante do sismo foi de vinte metros, causando 6000 vítimas entre a multidão que havia sido atraída pelo insólito espectáculo do fundo do rio juncado de destroços dos navios ali afundados ao longo do tempo. Dos 275 mil habitantes que Lisboa tinha então, crê-se que morreram 90 mil. À pergunta inevitável - “E agora, que fazer?” - um ministro teria respondido “Enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos.”

Recomendação do dia: O livro "A Viagem Marítima da Família Real", de Kenneth Light, ed.Zahar, que reconstitui as aventuras da corte portuguesa na travessia do Atlântico rumo ao Brasil, contando detalhes do dia-a-dia, como se media o tempo e o que comiam, compondo um quadro mais vivo dessa longa viagem.