30 de abr. de 2011

A Besta de Omaha



Para o soldado alemão Hein Severloh, o “mais longo dos dias” foi atirar com uma metralhadora por cerca de nove horas, sem intervalo, em soldados que desembarcavam na praia de Omaha, o setor americano do Dia D. Severloh estava seguro em um quase impenetrável bunker de concreto observando a praia. Sua visão das forças aliadas que desembarcavam estava totalmente desimpedida de obstáculos. Ele foi o último soldado alemão disparar um tiro na praia e estima-se que foi responsável por mais de 3.000 mortos ou feridos norte-americanos, quase três quartos de todas as baixas aliadas em Omaha Beach. Os ianques o chamaram de “A Besta de Omaha”... Então com 20 anos, o jovem soldado alemão engasgou quando viu o oceano. Ele enxergava uma muralha de navios aliados. “Meu Deus, como vou sair dessa?”, pensou. Hoje suas vítimas encontram-se enterradas no cemitério americano acima da praia francesa. O feito de Severloh no Dia D era considerado como confidencial pela Wehrmacht; hoje ele é um frágil e respeitado pensionista de 81 anos que vive em uma fazenda na vila de Metzingen, perto de Hamburgo. Diz não ter se recuperado dos sofrimentos que a guerra lhe provocou: " Não achei que sairia vivo de lá... Lutei pela minha vida... Eram eles ou eu, foi o que pensei."

28 de abr. de 2011

Câncer na Pré-história

Quando escavaram uma colina de sepultamento na região russa de Tuva, há aproximadamente dez anos, os arqueólogos literalmente encontraram ouro. Encurvados no chão de uma sala interna havia dois esqueletos, um homem e uma mulher, cercados por indumentárias reais de 27 séculos atrás: toucas e mantos adornados com imagens de ouro de cavalos, panteras e outros animais sagrados. Mas para os paleopatologistas - estudiosos das doenças antigas -, o tesouro mais rico era a abundância de tumores em praticamente todos os ossos do corpo masculino. O diagnóstico: o caso de câncer na próstata mais antigo de que se tem notícia. Frequentemente considerado uma doença moderna, o câncer sempre esteve conosco. Onde os cientistas discordam é sobre o quanto ele foi amplificado pelos doces e amargos frutos da civilização. Ao longo das décadas, arqueólogos descobriram cerca de 200 casos possíveis de câncer datando de tempos pré-históricos. "Não existem razões para achar que o câncer é uma doença nova", disse Robert A. Weinberg, um pesquisador de câncer do Instituto Whitehead de Pesquisa Biomédica, em Cambridge, Massachusetts, e autor do livro didático "A Biologia do Câncer". "Em tempos passados, a doença era menos comum porque as pessoas acabavam morrendo cedo, por outros motivos".

17 de abr. de 2011

A Quinta da Boa Vista






Negociante atacadista de muita iniciativa, enriquecido no tempo em que o comércio exterior do Brasil era monopólio da Metrópole, pôde Elias Antônio Lopes dar-se ao luxo de construir para o seu descanso uma casa-quinta. O terreno escolhido ficava numa elevação que se estendia das margens do rio Maracanã ao mar, entre a enseada de São Cristóvão e de Inhaúma, chamado Quinta da Boa Vista. Com a chegada da Família Real, Elias doou a sua propriedade a D. João VI transformando-a em residência do monarca. Para acomoda-lo, o casarão da Quinta, mesmo sendo vasto e confortável, precisava ser adaptado como residência real. Assim, passou por considerável reforma realizada por um arquiteto inglês; mais tarde, D. Pedro I manda fazer nova reforma e ampliação, adquirindo a chácara vizinha à Quinta. Após o casamento em 1817, D. Pedro e D. Leopoldina passam a residir na Quinta da Boa Vista. Também na Quinta cresceu e foi educado D. Pedro II promovendo várias reformas na propriedade, inclusive reformando e embelezando seus jardins, num projeto do paisagista francês Glaziou, em muito ainda preservado. Com o advento da República, a Quinta, após sediar a Constituinte de 1891, foi transformada em 1893 no Museu Nacional, transferido do Campo de Santana. Atualmente, a Quinta da Boa Vista funciona como um parque, abrigando o Jardim Zoológico da Cidade, o Museu da Fauna e, no palácio, o Museu Nacional, administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

16 de abr. de 2011

Vida de Professor

Na véspera de uma prova, 4 alunos resolveram chutar o balde: iriam viajar.

Faltaram à prova e então resolveram dar um "jeitinho". Voltaram à escola na terça, sendo que a prova havia ocorrido na segunda. Então dirigiram-se ao professor:

- Professor, fomos viajar, o pneu furou, não conseguimos consertá-lo, tivemos mil problemas e, por conta disso tudo, nos atrasamos mas gostaríamos de fazer a prova.

O professor, sempre compreensivo:

- Claro, vocês podem fazer a prova hoje à tarde, após o almoço.

E assim foi feito. Os rapazes correram para casa e se racharam de tanto estudar, na medida do possível. Na hora da prova, o professor colocou cada aluno em uma sala diferente e entregou a prova:

- Primeira pergunta, valendo 1 ponto: "Dê a definição de Mercantilismo".

Os quatro ficaram contentes pois haviam estudado o assunto. Pensaram que a prova seria muito fácil e que haviam conseguido se "dar bem". Mas aí veio a segunda pergunta:

- Valendo 9 pontos: "Qual dos quatro pneus furou?"

7 de abr. de 2011

O Primeiro Homossexual?


Cientistas tchecos escavaram o que acreditam ser o esqueleto de um homem pré-histórico homossexual ou transexual que viveu entre 4.500 e 5.000 anos atrás. A equipe de pesquisadores da Sociedade Arqueológica Tcheca constatou que os restos --retirados de um sítio arqueológico neolítico em Praga-- indicam que o indivíduo, de sexo masculino, foi enterrado segundo ritos normalmente destinados às mulheres. Os restos são de um membro da cultura da cerâmica cordada, que viveu no norte da Europa na idade da Pedra, entre 2.500 a.C. e 2.900 a.C. Neste tipo de cultura, os homens normalmente são enterrados sobre o seu lado direito, com a cabeça virada para o oeste, juntamente com ferramentas, armas, comida e bebidas. As mulheres, normalmente sobre o seu lado esquerdo, viradas para o leste e rodeada de jóias e objetos de uso doméstico. O esqueleto foi enterrado sobre o seu lado esquerdo, com a cabeça apontando para o oeste e cercado de objetos de uso doméstico, como vasos. "A partir de conhecimentos históricos e etnológicos, sabemos que os povos neste período levavam muito a sério os rituais funerários, portanto é improvável que esta posição fosse um erro", disse a coordenadora da pesquisa, Kamila Remisova Vesinova. "É mais provável que ele tenha tido uma orientação sexual diferente."

26 de mar. de 2011

O Tomate


A história do tomate é cheia de rumores, boatos e especulações, mas uma coisa é certa: essa fruta vermelha favorita de muita gente (sim, o tomate é uma fruta) não tem sua origem na Itália. Apesar do fato de ser um ingrediente essencial para massas, pizzas e saladas, o tomate é originário do México e da América Central. O tomate em sua forma original, no entanto, não tinha nada a ver com esse globo vermelho que nós conhecemos e adoramos hoje em dia. Tratava-se de uma pequena fruta perfumada (imagine algo como o tomate cereja) que os grupos nativos americanos combinavam com “ahi”, um tipo de pimenta para fazer um molho bem temperado. Os colonizadores, entretanto, acreditavam que o tomate era venenoso e nenhum ascendente europeu se atreveu a comer a fruta até o início do século XIX - com medo de morrer. Apenas os italianos imediatamente viram algo especial no tomate e, embora em um primeiro momento eles tenham usado a fruta para fins medicinais, acabaram consumindo tomate na forma de molho, por volta do século XVI. Levou mais de 100 anos para que o resto do continente europeu pegasse “gosto” pela fruta, mas na mesma época em que os americanos estavam apenas começando a experimentar o tomate, os franceses e ingleses já o consumiam com vigor, sendo que parte da popularidade da fruta se deve ao aumento dos alimentos enlatados. Hoje o tomate é um dos alimentos mais consumidos e mais de 1 bilhão e meio de toneladas são cultivadas e vendidas ao redor do mundo anualmente – isso é algo impressionante para uma fruta que até um século atrás provocava medo nas pessoas.

12 de mar. de 2011

A Praça XV










No início do século XVII, quando o Morro do Castelo começou a ser pequeno para a cidade do Rio de Janeiro, esta lançou-se para a Várzea, onde já existia uma capela, erguida para Nossa Senhora do Ó, localizada numa área muito pantanosa que passou a ser conhecida como Terreiro do Ó. Posteriormente o local passou a chamar-se Terreiro da Polé, porque nele foi instalado o tronco, instrumento de tortura para castigar os negros. Ficou também conhecido como Largo ou Rossio do Carmo, já que ficava em frente ao Convento do Carmo e, em seguida, como Largo do Paço, pois nele estava localizada a casa que foi o Paço dos Governadores, Paço dos Vice-Reis, Paço Real e Paço Imperial. Com a Proclamação da República, em 1889 passou a ser a Praça XV de Novembro, sofrendo uma reforma em 1894 para um novo ajardinamento e a inauguração da Estátua do General Osório. Na Praça ficava o antigo Porto do Rio, com o Cais Pharoux. Além do Paço, fazem parte do conjunto da Praça XV, o Arco do Telles, a Bolsa de Valores, o Chafariz da Pirâmide e a Estação das Barcas, de onde partem as barcas, os aerobarcos e os catamarãs que fazem o transporte de passageiros pela Baía de Guanabara, para Niterói, Paquetá e Ilha do Governador. Em 1998 a Praça foi completamente remodelada ganhando um subterrâneo por onde passam os ônibus e foi restaurado o Chafariz da Pirâmide, juntamente com um pedaço do antigo cais. Ao fundo da Praça, mas já pertencendo à Rua Primeiro de Março, existe ainda o importante conjunto arquitetônico formado pelo antigo Convento e pela Igreja do Noviciato do Carmo que foi a Catedral Metropolitana até mudar-se para a Av. Chile e pela Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo.

7 de fev. de 2011

Fenícios no Brasil?


Os fenícios estabeleceram-se nas margens orientais do Mediterrâneo, na fina e fértil faixa situada entre o mar e os montes Líbano e Antilíbano. A pequenez de seu território, a presença de vizinhos poderosos, e a existência de muita madeira de cedro (boa para a construção naval), nas florestas das montanhas, parecem ter sido fatores adicionais que orientaram a civilização fenícia para o mar. Visitaram as costas do norte da África e todo o sul da Europa, comerciaram na Itália, penetraram no ponto Euxino (mar Negro) e saíram pelas Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar), tocando o litoral atlântico da África e chegando até as ilhas do Estanho (Inglaterra). Há no Brasil indícios da passagem dos fenícios e tudo indica que eles concentraram sua atenção no nordeste. Subindo o rio Mearim, no Estado do Maranhão, na confluência dos rios Pindaré e Grajaú, encontramos o lago Pensiva, que outrora foi chamado Maracu. Neste lago, em ambas as margens, existem estaleiros de madeira petrificada, com grossos pregos e cavilhas de bronze. O pesquisador maranhense Raimundo Lopes escavou ali, no fim da década de 1920, e encontrou utensílios tipicamente fenícios. O professor austríaco Ludwig Schwennhagen acredita que os fenícios usaram o Brasil como base durante pelo menos oitocentos anos, deixando aqui, além das provas materiais, uma importante influência lingüística entre os nativos. Há, finalmente, a famosa inscrição da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, bastante conhecida, que diz: "Aqui Badezir, rei de Tiro, primogênito de Jetbaal". Cartago, a maior das colônias da Fenícia, prosperou até herdar da antiga metrópole o comércio pelo mar. É Heródoto que nos conta que "o Senado de Cartago baixou decreto proibindo sob pena de morte que se continuassem fazendo viagens para esse lado do Atlântico" (Américas) "já que a contínua vinda de homens e de recursos estava despovoando a capital".

2 de fev. de 2011

A Praça do Cinemas






Cinelândia é o nome popular da região do entorno da Praça Floriano Peixoto, no centro da cidade do Rio de Janeiro. A praça localizava-se num largo aberto durante as obras de construção da Avenida Central (atual avenida Rio Branco), ocupando parte do terreno do antigo Convento da Ajuda, construído em meados do século XVIII e demolido em 1911. A idéia de transformar a nova praça, cercada pelos prédios da Biblioteca Nacional, da Câmara Municipal, do antigo Supremo Tribunal Federal, do Palácio Monroe e do Teatro Municipal numa versão brasileira da Times Square, veio do empresário Francisco Serrador, um espanhol radicado no Brasil e proprietário de cassinos, cinemas, teatros e hotéis. O nome Cinelândia popularizou-se durante a década de 30, quando dezenas de boates, bares, restaurantes, cinemas e teatros instalaram-se na região, tornando-a referência em matéria de diversão popular. A Cinelândia foi também palco de algumas das mais importantes manifestações políticas da história do Brasil, como ocorreu em 26 de junho de 1968, quando uma multidão ali reunida saiu às ruas para protestar contra a ditadura militar.

Recomendação do dia: O livro "Memórias Estudantis - Da Fundação da UNE aos Nossos Dias", de Maria Paula Araujo, Ediouro Publicações, que resgata, preserva e difunde a memória do movimento estudantl, impedindo que essa grande história caia no esquecimento.

25 de jan. de 2011

Assassinos dos sertões


Ainda que estradas, avenidas e palácios levem seus nomes, os bandeirantes eram mais assassinos do que heróis desbravadores. É o que mostram os relatos sobre esses responsáveis pelo frutífero negócio de trazer índios do interior do país para a escravidão no século 17. Segundo o relato de jesuítas, "na longa caminhada até São Paulo, chegam a cortar braços de uns [índios] para com eles açoitarem aos outros". Mais: "matam os velhos e crianças que não conseguem caminhar, dando de comida aos cachorros". Nomes como Raposo Tavares, Fernão Dias e Domingos Jorge Velho com frequência apareciam associados à violência e a assassinatos. Não foi apenas moral a ilusão criada sobre os bandeirantes, porém. Até suas roupas são retratadas de maneira errada. Não usavam, por exemplo, botas, nem que o destino fosse muito longe: o próprio Jorge Velho foi descalço de São Paulo ao Piauí. A aparência corpulenta e a pele alva das pinturas também não são reais. "A maioria era filho de branco com índia, com a pele mais escura", diz Manuel Pacheco, da Universidade Federal da Grande Dourados. "A alimentação era restrita. O bandeirante gordo dos quadros é muito improvável. Esse mito dos bandeirantes foi consolidado após décadas de "marketing". A imagem heroica foi incentivada com a ascensão dos cafeicultores paulistas à elite econômica do Brasil, no fim do século 19. A partir de 1903, essa orientação foi incorporada à política, e o governo estadual passou a bancar obras de arte que apoiassem essa aura mítica. Com o passar dos anos, o mito foi sendo incorporado a outros grupos, que queriam se associar a essa imagem de coragem. Entram aí os constitucionalistas de 1932, o governo Vargas e até a ditadura militar.

9 de jan. de 2011

Fraude na morte de Santos Dumont


A morte de Santos Dumont foi por décadas relacionada a seu desgosto pelo uso de aviões para fins militares e a palavra “suicídio” não era dita em sala de aula, para que o fim de um dos poucos heróis nacionais, capaz de inspirar os pequenos e motivar os adultos, fosse digno de sua biografia. Sustentando as versões “moralmente elevadas” do desaparecimento do aviador havia um laudo necrológico, que indicava morte por “colapso cardíaco”. Uma fraude. Dumont morreu em 23 de julho de 1932, aos 59 anos, no banheiro do Grand Hôtel de La Plage, na cidade balneária de Guarujá. Há controvérsias sobre o material utilizado como corda: o cinto do roupão ou uma gravata. A idéia de forjar o laudo necrológico teria sido partilhada por autoridades governamentais e familiares do inventor. Ajeitados os trâmites, a fraude ficou, e a verdade só aos poucos foi sendo descoberta. Hoje se diz, com base em relatos, que o glamour que o aviador esbanjava escondeu por décadas episódios de depressão profunda ou de uma doença psíquica mais grave – e incontrolável para a medicina da primeira metade do século XX, como seria o caso de transtorno bipolar. No dia da morte, Santos Dumont havia aproveitado a natureza: conta-se que deu um passeio pela linda praia de Pitangueiras, andou de charrete e retornou ao hotel para almoçar. Passou pelo quarto e de lá não desceu. Funcionários do hotel o encontraram já morto.

17 de jun. de 2010

A Mona Lisa


A história da pintura não é clara e foi alvo de muita discussão. De acordo com Vasari, a modelo é uma jovem mulher florentina (Mona) Lisa, casada com Francesco del Giocondo e por isso ficando conhecida como "La Gioconda". O trabalho provavelmente foi feito durante a segunda estada de Leonardo em Florença e ele gostou tanto de sua obra que a carregou consigo para a França, onde foi vendida à Francisco I. Há controvérsias sobre esta teoria para a origem do quadro, pois Leonardo sempre mantinha registros dos modelos utilizados nas pinturas e não há um para a Mona Lisa. Outra teoria é a de que a Mona Lisa teria sido um autoretrato de Leonardo, tese apoiada através da digitalização dos dois retratos e superposição das imagens, mostrando claramente que os traços faciais da Mona Lisa se encaixam nos de Leonardo da Vinci. Algumas curiosidades: Mona Lisa foi retratada sem sobrancelhas, como era costume entre as mulheres da época renascentista; os cantos da boca de Mona Lisa são indefinidos, por isso se diz que ela tem um "sorriso enigmático"; a posição das mãos de Mona Lisa serviu de modelo para pintores durante muitos anos; no fundo da pintura, Da Vinci utilizou a técnica da perspectiva aérea, novidade para a época.

Recomendação do dia: O livro "Teoria Artística na Itália 1450-1600", de Anthony Blunt - ed.Cosac & Naify, uma história social do pensamento artístico na Itália renascentista.

4 de jun. de 2010

A Princesinha do Mar





A primeira lenda que se conhece sobre Copacabana conta que duas baleias teriam aparecido na praia, no final de agosto de 1858. Entre os dias 22 e 23 daquele ano, centenas de pessoas - com o imperador Pedro II e sua comitiva à frente - deslocaram-se para vê-las. Os mais ricos seguiam de coches, puxados a cavalo, e levavam lanches e barracas para se acomodarem. Outros iam a cavalo, ou mesmo a pé. As baleias não estavam mais lá; apesar disso quem ficou na praia divertiu-se muito, num piquenique que durou três dias e três noites, começando aí o namoro da população do Rio de Janeiro com aquele areal inóspito e insalubre.

Recomendação do dia: O livro "Cocheiros e Carroceiros", de Ana Maria da Silva Moura, ed.Hucitec, que trata da vida e trabalho dos cocheiros e carroceiros que, no final do século XIX, percorriam o Rio de Janeiro transportando cargas, servindo as Companhias de Comércio. Num mundo de senhores e escravos, a autora revela a história desses homens livres e pobres que faziam parte da construção coletiva de uma cidade que se modernizava.

3 de jun. de 2010

O Grande Terremoto


Em 1º de Novembro de 1755, às 9:45 da manhã, começaram a sentir os habitantes de Lisboa, com espanto e angústia, que o chão lhes tremia por debaixo dos pés. O tremor fora antecedido de um ruído tumultuoso que vinha do interior da terra e que, por si só, não seria assustador, de acordo com a descrição de um contemporâneo que o comparou ao «de muitos coches correndo». Em breves instantes o que se iniciara por uma sacudidela lenta, cresceu com grande intensidade. Era um sábado, dia de Todos-os-Santos, estando as igrejas a transbordar de fiéis que assistiam às missas, o que foi causa de grande mortandade. O abalo durou cerca de sete minutos e transformou, em tão curto tempo para tão desoladora mudança, uma cidade cheia de animação e de movimento, num montão de ruínas. Por volta das 11 da manhã, as vagas de um tsunami gerado pelo choque do tremor chegaram a Lisboa. As águas do Tejo inicialmente desceram, levando consigo os barcos ancorados junto ao cais. Em seguida, começaram a subir de nível, galgaram as paredes do cais e avançaram cidade adentro uns 300 a 400 metros. Segundo testemunhos da época, a altura da onda resultante do sismo foi de vinte metros, causando 6000 vítimas entre a multidão que havia sido atraída pelo insólito espectáculo do fundo do rio juncado de destroços dos navios ali afundados ao longo do tempo. Dos 275 mil habitantes que Lisboa tinha então, crê-se que morreram 90 mil. À pergunta inevitável - “E agora, que fazer?” - um ministro teria respondido “Enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos.”

Recomendação do dia: O livro "A Viagem Marítima da Família Real", de Kenneth Light, ed.Zahar, que reconstitui as aventuras da corte portuguesa na travessia do Atlântico rumo ao Brasil, contando detalhes do dia-a-dia, como se media o tempo e o que comiam, compondo um quadro mais vivo dessa longa viagem.

30 de mai. de 2010

Independência ou Morte!


Embora a independência política do Brasil tenha sido um "arranjo político", segundo a expressão do historiador Caio Prado Jr., ela implicou uma acirrada luta social. Várias camadas sociais disputavam a liderança, desejando imprimir ao movimento libertador o sentido que mais convinha e interessava a cada uma. No final, venceu a aristrocacia rural dos grandes proprietários escravistas. Alguns fatos curiosos: na proclamação, D.Pedro não estava viajando a cavalo, já que para viagens longas só era usado o burro. Além disso, o imperador tinha acabado de se encontrar com sua amante Domitila de Castro, por isso viajava secretamente e não poderia estar com uma grande comitiva e nem usando traje oficial. Mais: o famoso grito não aconteceu às margens do riacho do Ipiranga, como sugere a letra do Hino Nacional; o príncipe bradou a célebre frase no alto da colina próxima ao riacho, onde sua tropa esperava que ele se aliviasse de um súbito mal-estar intestinal. O Brasil pagou 2 milhões de libras a Portugal pela Independência; D.Pedro não pediu nenhuma possessão portuguesa - caso de Angola, na África, cuja elite quis fazer parte do Império do Brasil para facilitar o tráfico de escravos.

Recomendação do dia: O livro "As Quatro Coroas de D.Pedro I", de Sérgio Corrêa da Costa - ed.Paz e Terra, no qual, a partir da análise de diversos documentos de época, o autor relata as oportunidades que teve o imperador de governar outros países; as "Quatro Coroas" seriam da Grécia e da Espanha,além de Portugal e Brasil.

20 de mai. de 2010

Melhores Blogs de História - 2010

Olá amigos, obrigado pelos votos, o blog alcançou a segunda colocação geral na escolha dos internautas e ficou em primeiro lugar segundo a escolha dos membros efetivos do IPHR, VALEU!!!


De acordo com o edital de indicação foram selecionados três blogs da área de História nas três classificações:


1º- Melhor Blog de História - Escolha dos Internautas:
História Digital

2º Melhor Blog de História - Escolha dos Membros Efetivos do IPHR;
Um Professor de História

3º Melhor Blog de História - Escolha da Diretoria do IPHR;
Fontes Primárias no Vale do Paraíba

Parabéns aos vencedores, pedimos que entrem em contato pelo e-mailiphrpesquisa@yahoo.com.br, para combinarmos a premiação.

Nossa iniciativa é fazer com que estas páginas ganhem cada vez mais reconhecimentos como fontes acadêmicas, educacionais e para pesquisas diversas de curiosos. É importante ressaltar que foram usados alguns critérios na avaliação:

1- Criatividade e Organização;

2- Conteúdo Oferecido;

3- Atualização de Informações;

4- Temáticas tratadas dentro das finalidades da Instituição.

19 de mai. de 2010

O Último Barão


Em 30 de setembro de 1889, pouco mais de um ano após a Abolição, morria na sua Fazenda de São Joaquim da Grama, em Rio Claro, no Rio de Janeiro, o comendador Joaquim José de Souza Breves, conhecido como o “rei do café” no Brasil Imperial. Foi, sem dúvida, o maior proprietário de escravos e terras do século XIX, chegando a ter mais de seis mil cativos. Acumulou fortuna somando a compra de fazendas à herança dos pais e ao casamento com sua sobrinha, filha dos barões do Piraí. No seu inventário constavam 72 fazendas, imóveis nas cidades e na capital, ilhas e embarcações. Breves não acreditava na Abolição. Continuou comprando escravos após a proibição do tráfico negreiro em 1850 e, mesmo depois do 13 de maio, tirou o velho relho (chicote) da parede e deu uma surra numa escrava chamada Basília, que tinha “emburrado” e não queria voltar ao trabalho. Além de potentado do café, Breves foi testemunha ocular da História. Aos 18 anos, ele acompanhava o príncipe D. Pedro na jornada do Ipiranga, tendo o privilégio de assistir à cena do grito da Independência. Foi o último sobrevivente do episódio, que rememorava entusiasmado na velhice, dizendo que a indisposição e o mau humor de D. Pedro no dia 7 de setembro de 1822 se deviam em grande parte a uma feijoada que comera na véspera.

(Na foto, a Capela de São Joaquim da Grama, onde repousam os restos mortais do comendador. De imponente arquitetura classicizante, a igreja, de planta complexa e simétrica, com suas duas torres próximas sobre a nave, se destaca na paisagem vazia da fazenda. Seu conjunto arquitetônico encontra-se em estado de abandono, encontrando-se sem cobertura e em processo de arruinamento.)