12 de mar. de 2011

A Praça XV










No início do século XVII, quando o Morro do Castelo começou a ser pequeno para a cidade do Rio de Janeiro, esta lançou-se para a Várzea, onde já existia uma capela, erguida para Nossa Senhora do Ó, localizada numa área muito pantanosa que passou a ser conhecida como Terreiro do Ó. Posteriormente o local passou a chamar-se Terreiro da Polé, porque nele foi instalado o tronco, instrumento de tortura para castigar os negros. Ficou também conhecido como Largo ou Rossio do Carmo, já que ficava em frente ao Convento do Carmo e, em seguida, como Largo do Paço, pois nele estava localizada a casa que foi o Paço dos Governadores, Paço dos Vice-Reis, Paço Real e Paço Imperial. Com a Proclamação da República, em 1889 passou a ser a Praça XV de Novembro, sofrendo uma reforma em 1894 para um novo ajardinamento e a inauguração da Estátua do General Osório. Na Praça ficava o antigo Porto do Rio, com o Cais Pharoux. Além do Paço, fazem parte do conjunto da Praça XV, o Arco do Telles, a Bolsa de Valores, o Chafariz da Pirâmide e a Estação das Barcas, de onde partem as barcas, os aerobarcos e os catamarãs que fazem o transporte de passageiros pela Baía de Guanabara, para Niterói, Paquetá e Ilha do Governador. Em 1998 a Praça foi completamente remodelada ganhando um subterrâneo por onde passam os ônibus e foi restaurado o Chafariz da Pirâmide, juntamente com um pedaço do antigo cais. Ao fundo da Praça, mas já pertencendo à Rua Primeiro de Março, existe ainda o importante conjunto arquitetônico formado pelo antigo Convento e pela Igreja do Noviciato do Carmo que foi a Catedral Metropolitana até mudar-se para a Av. Chile e pela Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo.

7 de fev. de 2011

Fenícios no Brasil?


Os fenícios estabeleceram-se nas margens orientais do Mediterrâneo, na fina e fértil faixa situada entre o mar e os montes Líbano e Antilíbano. A pequenez de seu território, a presença de vizinhos poderosos, e a existência de muita madeira de cedro (boa para a construção naval), nas florestas das montanhas, parecem ter sido fatores adicionais que orientaram a civilização fenícia para o mar. Visitaram as costas do norte da África e todo o sul da Europa, comerciaram na Itália, penetraram no ponto Euxino (mar Negro) e saíram pelas Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar), tocando o litoral atlântico da África e chegando até as ilhas do Estanho (Inglaterra). Há no Brasil indícios da passagem dos fenícios e tudo indica que eles concentraram sua atenção no nordeste. Subindo o rio Mearim, no Estado do Maranhão, na confluência dos rios Pindaré e Grajaú, encontramos o lago Pensiva, que outrora foi chamado Maracu. Neste lago, em ambas as margens, existem estaleiros de madeira petrificada, com grossos pregos e cavilhas de bronze. O pesquisador maranhense Raimundo Lopes escavou ali, no fim da década de 1920, e encontrou utensílios tipicamente fenícios. O professor austríaco Ludwig Schwennhagen acredita que os fenícios usaram o Brasil como base durante pelo menos oitocentos anos, deixando aqui, além das provas materiais, uma importante influência lingüística entre os nativos. Há, finalmente, a famosa inscrição da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, bastante conhecida, que diz: "Aqui Badezir, rei de Tiro, primogênito de Jetbaal". Cartago, a maior das colônias da Fenícia, prosperou até herdar da antiga metrópole o comércio pelo mar. É Heródoto que nos conta que "o Senado de Cartago baixou decreto proibindo sob pena de morte que se continuassem fazendo viagens para esse lado do Atlântico" (Américas) "já que a contínua vinda de homens e de recursos estava despovoando a capital".

2 de fev. de 2011

A Praça do Cinemas






Cinelândia é o nome popular da região do entorno da Praça Floriano Peixoto, no centro da cidade do Rio de Janeiro. A praça localizava-se num largo aberto durante as obras de construção da Avenida Central (atual avenida Rio Branco), ocupando parte do terreno do antigo Convento da Ajuda, construído em meados do século XVIII e demolido em 1911. A idéia de transformar a nova praça, cercada pelos prédios da Biblioteca Nacional, da Câmara Municipal, do antigo Supremo Tribunal Federal, do Palácio Monroe e do Teatro Municipal numa versão brasileira da Times Square, veio do empresário Francisco Serrador, um espanhol radicado no Brasil e proprietário de cassinos, cinemas, teatros e hotéis. O nome Cinelândia popularizou-se durante a década de 30, quando dezenas de boates, bares, restaurantes, cinemas e teatros instalaram-se na região, tornando-a referência em matéria de diversão popular. A Cinelândia foi também palco de algumas das mais importantes manifestações políticas da história do Brasil, como ocorreu em 26 de junho de 1968, quando uma multidão ali reunida saiu às ruas para protestar contra a ditadura militar.

Recomendação do dia: O livro "Memórias Estudantis - Da Fundação da UNE aos Nossos Dias", de Maria Paula Araujo, Ediouro Publicações, que resgata, preserva e difunde a memória do movimento estudantl, impedindo que essa grande história caia no esquecimento.

25 de jan. de 2011

Assassinos dos sertões


Ainda que estradas, avenidas e palácios levem seus nomes, os bandeirantes eram mais assassinos do que heróis desbravadores. É o que mostram os relatos sobre esses responsáveis pelo frutífero negócio de trazer índios do interior do país para a escravidão no século 17. Segundo o relato de jesuítas, "na longa caminhada até São Paulo, chegam a cortar braços de uns [índios] para com eles açoitarem aos outros". Mais: "matam os velhos e crianças que não conseguem caminhar, dando de comida aos cachorros". Nomes como Raposo Tavares, Fernão Dias e Domingos Jorge Velho com frequência apareciam associados à violência e a assassinatos. Não foi apenas moral a ilusão criada sobre os bandeirantes, porém. Até suas roupas são retratadas de maneira errada. Não usavam, por exemplo, botas, nem que o destino fosse muito longe: o próprio Jorge Velho foi descalço de São Paulo ao Piauí. A aparência corpulenta e a pele alva das pinturas também não são reais. "A maioria era filho de branco com índia, com a pele mais escura", diz Manuel Pacheco, da Universidade Federal da Grande Dourados. "A alimentação era restrita. O bandeirante gordo dos quadros é muito improvável. Esse mito dos bandeirantes foi consolidado após décadas de "marketing". A imagem heroica foi incentivada com a ascensão dos cafeicultores paulistas à elite econômica do Brasil, no fim do século 19. A partir de 1903, essa orientação foi incorporada à política, e o governo estadual passou a bancar obras de arte que apoiassem essa aura mítica. Com o passar dos anos, o mito foi sendo incorporado a outros grupos, que queriam se associar a essa imagem de coragem. Entram aí os constitucionalistas de 1932, o governo Vargas e até a ditadura militar.

9 de jan. de 2011

Fraude na morte de Santos Dumont


A morte de Santos Dumont foi por décadas relacionada a seu desgosto pelo uso de aviões para fins militares e a palavra “suicídio” não era dita em sala de aula, para que o fim de um dos poucos heróis nacionais, capaz de inspirar os pequenos e motivar os adultos, fosse digno de sua biografia. Sustentando as versões “moralmente elevadas” do desaparecimento do aviador havia um laudo necrológico, que indicava morte por “colapso cardíaco”. Uma fraude. Dumont morreu em 23 de julho de 1932, aos 59 anos, no banheiro do Grand Hôtel de La Plage, na cidade balneária de Guarujá. Há controvérsias sobre o material utilizado como corda: o cinto do roupão ou uma gravata. A idéia de forjar o laudo necrológico teria sido partilhada por autoridades governamentais e familiares do inventor. Ajeitados os trâmites, a fraude ficou, e a verdade só aos poucos foi sendo descoberta. Hoje se diz, com base em relatos, que o glamour que o aviador esbanjava escondeu por décadas episódios de depressão profunda ou de uma doença psíquica mais grave – e incontrolável para a medicina da primeira metade do século XX, como seria o caso de transtorno bipolar. No dia da morte, Santos Dumont havia aproveitado a natureza: conta-se que deu um passeio pela linda praia de Pitangueiras, andou de charrete e retornou ao hotel para almoçar. Passou pelo quarto e de lá não desceu. Funcionários do hotel o encontraram já morto.

17 de jun. de 2010

A Mona Lisa


A história da pintura não é clara e foi alvo de muita discussão. De acordo com Vasari, a modelo é uma jovem mulher florentina (Mona) Lisa, casada com Francesco del Giocondo e por isso ficando conhecida como "La Gioconda". O trabalho provavelmente foi feito durante a segunda estada de Leonardo em Florença e ele gostou tanto de sua obra que a carregou consigo para a França, onde foi vendida à Francisco I. Há controvérsias sobre esta teoria para a origem do quadro, pois Leonardo sempre mantinha registros dos modelos utilizados nas pinturas e não há um para a Mona Lisa. Outra teoria é a de que a Mona Lisa teria sido um autoretrato de Leonardo, tese apoiada através da digitalização dos dois retratos e superposição das imagens, mostrando claramente que os traços faciais da Mona Lisa se encaixam nos de Leonardo da Vinci. Algumas curiosidades: Mona Lisa foi retratada sem sobrancelhas, como era costume entre as mulheres da época renascentista; os cantos da boca de Mona Lisa são indefinidos, por isso se diz que ela tem um "sorriso enigmático"; a posição das mãos de Mona Lisa serviu de modelo para pintores durante muitos anos; no fundo da pintura, Da Vinci utilizou a técnica da perspectiva aérea, novidade para a época.

Recomendação do dia: O livro "Teoria Artística na Itália 1450-1600", de Anthony Blunt - ed.Cosac & Naify, uma história social do pensamento artístico na Itália renascentista.

4 de jun. de 2010

A Princesinha do Mar





A primeira lenda que se conhece sobre Copacabana conta que duas baleias teriam aparecido na praia, no final de agosto de 1858. Entre os dias 22 e 23 daquele ano, centenas de pessoas - com o imperador Pedro II e sua comitiva à frente - deslocaram-se para vê-las. Os mais ricos seguiam de coches, puxados a cavalo, e levavam lanches e barracas para se acomodarem. Outros iam a cavalo, ou mesmo a pé. As baleias não estavam mais lá; apesar disso quem ficou na praia divertiu-se muito, num piquenique que durou três dias e três noites, começando aí o namoro da população do Rio de Janeiro com aquele areal inóspito e insalubre.

Recomendação do dia: O livro "Cocheiros e Carroceiros", de Ana Maria da Silva Moura, ed.Hucitec, que trata da vida e trabalho dos cocheiros e carroceiros que, no final do século XIX, percorriam o Rio de Janeiro transportando cargas, servindo as Companhias de Comércio. Num mundo de senhores e escravos, a autora revela a história desses homens livres e pobres que faziam parte da construção coletiva de uma cidade que se modernizava.

3 de jun. de 2010

O Grande Terremoto


Em 1º de Novembro de 1755, às 9:45 da manhã, começaram a sentir os habitantes de Lisboa, com espanto e angústia, que o chão lhes tremia por debaixo dos pés. O tremor fora antecedido de um ruído tumultuoso que vinha do interior da terra e que, por si só, não seria assustador, de acordo com a descrição de um contemporâneo que o comparou ao «de muitos coches correndo». Em breves instantes o que se iniciara por uma sacudidela lenta, cresceu com grande intensidade. Era um sábado, dia de Todos-os-Santos, estando as igrejas a transbordar de fiéis que assistiam às missas, o que foi causa de grande mortandade. O abalo durou cerca de sete minutos e transformou, em tão curto tempo para tão desoladora mudança, uma cidade cheia de animação e de movimento, num montão de ruínas. Por volta das 11 da manhã, as vagas de um tsunami gerado pelo choque do tremor chegaram a Lisboa. As águas do Tejo inicialmente desceram, levando consigo os barcos ancorados junto ao cais. Em seguida, começaram a subir de nível, galgaram as paredes do cais e avançaram cidade adentro uns 300 a 400 metros. Segundo testemunhos da época, a altura da onda resultante do sismo foi de vinte metros, causando 6000 vítimas entre a multidão que havia sido atraída pelo insólito espectáculo do fundo do rio juncado de destroços dos navios ali afundados ao longo do tempo. Dos 275 mil habitantes que Lisboa tinha então, crê-se que morreram 90 mil. À pergunta inevitável - “E agora, que fazer?” - um ministro teria respondido “Enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos.”

Recomendação do dia: O livro "A Viagem Marítima da Família Real", de Kenneth Light, ed.Zahar, que reconstitui as aventuras da corte portuguesa na travessia do Atlântico rumo ao Brasil, contando detalhes do dia-a-dia, como se media o tempo e o que comiam, compondo um quadro mais vivo dessa longa viagem.

30 de mai. de 2010

Independência ou Morte!


Embora a independência política do Brasil tenha sido um "arranjo político", segundo a expressão do historiador Caio Prado Jr., ela implicou uma acirrada luta social. Várias camadas sociais disputavam a liderança, desejando imprimir ao movimento libertador o sentido que mais convinha e interessava a cada uma. No final, venceu a aristrocacia rural dos grandes proprietários escravistas. Alguns fatos curiosos: na proclamação, D.Pedro não estava viajando a cavalo, já que para viagens longas só era usado o burro. Além disso, o imperador tinha acabado de se encontrar com sua amante Domitila de Castro, por isso viajava secretamente e não poderia estar com uma grande comitiva e nem usando traje oficial. Mais: o famoso grito não aconteceu às margens do riacho do Ipiranga, como sugere a letra do Hino Nacional; o príncipe bradou a célebre frase no alto da colina próxima ao riacho, onde sua tropa esperava que ele se aliviasse de um súbito mal-estar intestinal. O Brasil pagou 2 milhões de libras a Portugal pela Independência; D.Pedro não pediu nenhuma possessão portuguesa - caso de Angola, na África, cuja elite quis fazer parte do Império do Brasil para facilitar o tráfico de escravos.

Recomendação do dia: O livro "As Quatro Coroas de D.Pedro I", de Sérgio Corrêa da Costa - ed.Paz e Terra, no qual, a partir da análise de diversos documentos de época, o autor relata as oportunidades que teve o imperador de governar outros países; as "Quatro Coroas" seriam da Grécia e da Espanha,além de Portugal e Brasil.

20 de mai. de 2010

Melhores Blogs de História - 2010

Olá amigos, obrigado pelos votos, o blog alcançou a segunda colocação geral na escolha dos internautas e ficou em primeiro lugar segundo a escolha dos membros efetivos do IPHR, VALEU!!!


De acordo com o edital de indicação foram selecionados três blogs da área de História nas três classificações:


1º- Melhor Blog de História - Escolha dos Internautas:
História Digital

2º Melhor Blog de História - Escolha dos Membros Efetivos do IPHR;
Um Professor de História

3º Melhor Blog de História - Escolha da Diretoria do IPHR;
Fontes Primárias no Vale do Paraíba

Parabéns aos vencedores, pedimos que entrem em contato pelo e-mailiphrpesquisa@yahoo.com.br, para combinarmos a premiação.

Nossa iniciativa é fazer com que estas páginas ganhem cada vez mais reconhecimentos como fontes acadêmicas, educacionais e para pesquisas diversas de curiosos. É importante ressaltar que foram usados alguns critérios na avaliação:

1- Criatividade e Organização;

2- Conteúdo Oferecido;

3- Atualização de Informações;

4- Temáticas tratadas dentro das finalidades da Instituição.

19 de mai. de 2010

O Último Barão


Em 30 de setembro de 1889, pouco mais de um ano após a Abolição, morria na sua Fazenda de São Joaquim da Grama, em Rio Claro, no Rio de Janeiro, o comendador Joaquim José de Souza Breves, conhecido como o “rei do café” no Brasil Imperial. Foi, sem dúvida, o maior proprietário de escravos e terras do século XIX, chegando a ter mais de seis mil cativos. Acumulou fortuna somando a compra de fazendas à herança dos pais e ao casamento com sua sobrinha, filha dos barões do Piraí. No seu inventário constavam 72 fazendas, imóveis nas cidades e na capital, ilhas e embarcações. Breves não acreditava na Abolição. Continuou comprando escravos após a proibição do tráfico negreiro em 1850 e, mesmo depois do 13 de maio, tirou o velho relho (chicote) da parede e deu uma surra numa escrava chamada Basília, que tinha “emburrado” e não queria voltar ao trabalho. Além de potentado do café, Breves foi testemunha ocular da História. Aos 18 anos, ele acompanhava o príncipe D. Pedro na jornada do Ipiranga, tendo o privilégio de assistir à cena do grito da Independência. Foi o último sobrevivente do episódio, que rememorava entusiasmado na velhice, dizendo que a indisposição e o mau humor de D. Pedro no dia 7 de setembro de 1822 se deviam em grande parte a uma feijoada que comera na véspera.

(Na foto, a Capela de São Joaquim da Grama, onde repousam os restos mortais do comendador. De imponente arquitetura classicizante, a igreja, de planta complexa e simétrica, com suas duas torres próximas sobre a nave, se destaca na paisagem vazia da fazenda. Seu conjunto arquitetônico encontra-se em estado de abandono, encontrando-se sem cobertura e em processo de arruinamento.)

10 de mai. de 2010

O Fogo


Um novo estudo concluiu que seres humanos conseguiam produzir fogo há cerca de 790 mil anos, habilidade que contribuiu para a migração da África para a Europa. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, após análise de um sítio arqueológico no vale do rio Jordão. Um estudo de 2004 no mesmo local mostrou que, naquele período, o homem era capaz de controlar o fogo - fazia sua distribuição, por exemplo, por meio de galhos. Agora, o trabalho publicado na "Quaternary Science Reviews" diz que ele conseguia gerar fogueiras e não apenas aproveitar faíscas que resultavam de raios. Os novos dados mostram que o homem pré-histórico não era dependente de fogo natural, o que ajudou a impulsionar a migração para o norte, pois ao conseguir dominar o fogo para se proteger de predadores e garantir calor e luz, estava seguro para povoar terras desconhecidas.

Recomendação do dia: O filme "A Guerra do Fogo", de Jean-Jacques Annaud, que levanta hipóteses sobre a origem da linguagem através da busca de três hominídeos por uma nova fonte de fogo perdida por sua tribo. O filme surpreende pela sensibilidade com que trata um tema tão complicado, onde povoam ainda poucas certezas e muitas teorias.

8 de mai. de 2010

Vida de Professor

Cabral não foi o primeiro...


Em dezembro de 1498, uma frota de oito navios, sob o comando de Duarte Pacheco Pereira, atingiu o litoral brasileiro e chegou a explorá-lo, à altura dos atuais estados do Pará e do Maranhão. Essa primeira chegada dos portugueses ao continente sul-americano foi mantida em rigoroso segredo. Estadistas hábeis, os dois últimos reis de Portugal entre os séculos 15 e 16 - D. João II e D. Manuel I - procuravam impedir que os espanhóis tivessem conhecimento de seus projetos. Ao entardecer do dia 22 de abril de 1500, a frota de Pedro Álvares Cabral ancorou a 36 quilômetros da costa baiana. No dia seguinte, chegaram mais perto da praia e avistaram sete ou oito homens andando na areia. Nicolau Coelho, Gaspar da Gama, um grumete e um escravo africanos foram os primeiros a desembarcar. O grupo na praia já aumentara para vinte homens, todos nus. Quando os nativos se aproximaram do barco apontando seus arcos e flechas, Nicolau Coelho fez-lhes sinal para que largassem as armas, no que foi obedecido. Ainda de dentro do barco, ele atirou um gorro vermelho, um sombreiro preto e a carapuça de linho que usava. Em troca, os índios lhe deram um cocar e um colar de pedras brancas... Assim, a chegada de Cabral ao Brasil é dois anos posterior à de Duarte Pacheco. Além disso, o atual território brasileiro já era habitado desde tempos pré-históricos: cerca de cinco milhões de índios aqui viviam em 1500.

Recomendação do dia: O filme "Hans Staden" (foto), dirigido por Luiz Alberto Pereira, que traz os primórdios da colonização do Brasil, envolvendo as diferentes culturas existentes na época, como índios, portugueses, espanhóis e franceses.

1 de mai. de 2010

Hesíodo e o Trabalho


Poeta grego, de fama comparável à de Heródoto, Hesiodo foi o mais antigo escritor de que se tem notícia. Espalhou, através de seus poemas - especialmente “Os Trabalhos e os Dias” - preceitos morais e de conduta para a juventude, valorizando o esforço dos camponeses e condenando o ócio e as guerras. Hesíodo viveu durante o período Arcaico da Grécia, entre os séculos VIII e VII a.C. Posteriormente, no apogeu das Cidades-Estado, a sociedade seguiu normas, costumes e tradições contrárias aos ensinamentos pregados por ele. O ócio passou a ser extremamente valorizado como forma do cidadão poder participar dos negócios de Estado e fiscalizar suas propriedades rurais; o trabalho manual, que exige esforço do corpo, foi destinado aos escravos, àqueles que nada mais podiam oferecer além dos serviços pesados. Tudo o que temos de notícias a respeito de Hesíodo foi contado por ele mesmo, inclusive sua própria biografia, por isso nem mesmo sua existência é assegurada. Como os poemas homéricos, sua obra parece ser uma coletânea de mitos e tradições conservados oralmente — no caso, tradições da Beócia, região em que viveu. Hesíodo foi, no entanto, o primeiro a utilizar suas próprias experiências como tema de poesia e a cantar a vida simples do homem do campo.

Recomendação do dia: O livro "O Mundo de Homero", de Pierre Vidal Naquet, ed. Companhia das Letras, onde com erudição e clareza, fazendo-se compreender também pelo leitor comum e não somente por especialistas, o autor oferece-nos a síntese dos conhecimentos atuais a respeito do mundo que gerou Homero.

11 de abr. de 2010

A Guarda do Imperador


A Guarda Pretoriana era um corpo militar de elite formado para proteger o imperador romano e sua família; em certas ocasiões este corpo alcançou tanto poder que foi decisivo na escolha ou permanência dos próprios imperadores. Vestiam-se de forma diferenciada e as guardas reais do presente século são suas herdeiras no que tange a questão de proteção da família real. A partir de Augusto, todos os imperadores tiveram uma guarda pretoriana, de tamanho variável. O termo Guarda Pretoriana quer dizer "A Guarda do Pretório"; o praetorium era a parte central do acampamento de uma legião romana, onde ficavam alojados os oficiais superiores. No ano de 23 d.C., com Tibério como imperador, inaugurou-se o acampamento permanente da Guarda Pretoriana, chamado Praetoria Castrates, localizado nas cercanias de Roma; desde então a Guarda Pretoriana passou usar o escorpião - que era o signo de Tibério - como distintivo da unidade militar, em seus escudos e no seu estandarte. Os pretorianos geralmente chegavam à Guarda através de seus serviços nas legiões. Eles tinham que ser muito bem recomendados, passar em alguns exames, conhecimentos e testes físicos exaustivos. Segundo Edward Gibbon, foi Diocleciano quem, tendo em vista a necessidade de reformas, desmobilizou a Guarda Pretoriana. Tal ação foi sendo executada de forma deliberada e imperceptível ao longo de vários anos.

Recomendação do dia: O livro "Juliano", de Gore Vidal, ed.Rocco, uma reconstituição romanceada do imperador romano que tentou restaurar o paganismo, retratando admiravelmente o cotidiano do fim do Império com sua depravação e corrupção.

28 de nov. de 2009

Polacas


As ruas de grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro acostumaram-se a receber um grupo de mulheres que, por quase um século, prostituiu-se. Nascidas no Leste Europeu – e, por isso, conhecidas aqui como “polacas” –, elas eram judias, pobres, sem dote para um bom casamento e quase sempre analfabetas. Saíram de seus países fugidas, com medo das ondas de anti-semitismo. Sem perspectivas, acabaram recrutadas por cafetões. O relato mais antigo da chegada das polacas por aqui data de 1867 e o documento menciona a chegada ao porto do Rio de 104 “meretrizes estrangeiras” – dessas, 67 ficaram e 37 seguiram para Argentina.
A história das polacas foi esquecida. Primeiro porque não tinham sucessoras. Depois porque sempre foram discriminadas – inclusive pela sociedade judaica brasileira da época, que não permitia a elas nem um enterro digno. A maior parte das polacas está enterrada em cemitérios construídos por associações que fundaram no Brasil, como o Cemitério Israelita de Inhaúma, no Rio. Expressões usadas pelas polacas judias deram origem a palavras hoje muito populares no Brasil. Quando suspeitavam que um cliente tinha doença venérea, diziam ein krenke (“doença”, em iídiche), que acabou se transformando em “encrenca”. E, quando a polícia dava incertas nos bordéis, elas gritavam sacana (“polícia”) – que virou “sacanagem”.

(Na foto, de Augusto Malta, uma polaca e sua escrava)
Recomendação do dia: O livro "Baile de Máscaras: mulheres judias e prostituição - As polacas e suas associações de ajuda mútua", ed.Imago, onde Beatriz Kushnir faz uma brilhante pesquisa sobre o mundo privado de mulheres tidas como públicas.

12 de jun. de 2009

Vestígios de Poder


A cidade inca de Machu Picchu, nos Andes, localizava-se a uma altitude de cerca de 2500m e apesar de oculta e livre dos espanhóis (nada é mencionado em suas crônicas), foi abandonada ainda no sec. XVI por razões e em circunstâncias ignoradas. Acreditava-se que as ruínas incas haviam sido “descobertas” por Hiram Bingham, da Universidade Yale em 1911, entretanto, em 1989, o cartógrafo americano Paolo Greer encontrou um mapa alemão datado de 1874 que já as indicava. Indo atrás da história desse enigmático mapa, Greer e sua equipe conseguiram comprovar que o verdadeiro descobridor de Machu Picchu foi o alemão Augusto R. Berns, minerador e proprietário de terras na região das ruínas por volta de 1867. Atualmente Machu Picchu pode ser destruída a qualquer momento por deslizamentos de terra. De acordo com geólogos japoneses que tem monitorado o local, o declive na parte posterior do sítio arqueológico está recuando cerca de 1 cm por mês, podendo haver uma movimentação de terra de até 100 m de profundidade, danificando irreparavelmente as antigas estruturas.

(A foto mostra as famosas ruínas, nas quais foram encontrados milhares de esqueletos, sendo que 80% eram de mulheres)
Recomendação do dia: O DVD do filme "Queimada", dirigido por Gillo Pontecorvo que, com visual e narrativas impressionantes, além de grande atuação de Marlon Brando, explora temas como colonialismo e insurreição.