29 de mai de 2011

O Entrudo


Avô e pai do carnaval, o entrudo era festejado antes de Cristo para comemorar a chegada da primavera. No Brasil foi alvo de críticas desde os tempos coloniais, devido ao seu espírito perturbador da ordem, tendo sido proibido várias vezes. Tais medidas, entretanto, eram inoperantes, pois ele continuava soberano como divertimento. Se dentro das casas senhoriais dos principais centros urbanos caracterizava-se pelo caráter delicado e pela presença dos limões de cheiro que os jovens lançavam entre si com o intuito de estabelecer laços sociais mais intensos entre as famílias, nas ruas era uma brincadeira violenta e grosseira, que tinha como principais atores escravos e a população de rua, sendo caracterizado pelo lançamento mútuo de todo tipo de líquidos (até sêmem ou urina) que estivessem disponíveis. Na segunda metade do século XIX uma campanha acirrada foi deflagrada contra o entrudo, vislumbrando o aceleramento das mudanças no modo de vida da sociedade brasileira. A escolha inicial das festas de carnaval que substituiriam o entrudo foi influenciada pelos que frequentavam teatros, óperas e salões. Carnaval para a elite passou a ser sinônimo de luxo, danças, cantos, banquetes, músicas e, especialmente, máscaras. Os bailes de máscaras constituíram-se, a partir de então, no grande ideal de carnaval no Brasil, em meados do século XIX. Já o entrudo praticamente desapareceu, porém é ainda hoje praticado durante o carnaval na cidade de Arraias (TO), onde uma singela placa alardeia: " Entrada franca! Basta um balde de água para molhar os foliões!"

26 de mai de 2011

O Segredo de Michelangelo


Pesquisadores acreditam ter desvendado um mistério de quase 500 anos, envolvendo uma das obras mais conhecidas de Michelangelo. Eles afirmam que os afrescos da Capela Sistina, no Vaticano, escondem partes do corpo humano dissecadas pelo mestre do Renascimento. A primeira pergunta a ser feita é: por que o pintor italiano faria isso? Para responder, precisamos voltar ao século 16, época em que o Renascimento dirigia as atenções da ciência e das artes para o homem fazendo com que, entre outras coisas, o corpo humano passasse a ser estudado com mais interesse. A dissecação de cadáveres – condenada pela Igreja – era uma prática disseminada tanto entre médicos e pensadores quanto entre pintores e escultores. Michelangelo era um deles (ao lado de Leonardo da Vinci, Rafael, Luca Signorelli e Andrea Verocchio). Realizava experiências com cadáveres em seu próprio estúdio com tanta freqüência que chegou a ser convidado por Realdo Colombo, um dos médicos mais famosos de seu tempo, para ilustrar um completo manual anatômico que não chegou a ser realizado. “O humanismo era o código de conduta da época. E esconder um cérebro na figura de Deus criando o homem, bem sobre as cabeças coroadas de bispos e do próprio papa, seria uma ironia típica do gênio de Michelangelo”, diz o historiador italiano Agostino Giovanelli, da Universidade Católica de Milão.

Recomendação do dia: Faça uma visita virtual em 3D à Capela Sistina em http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html

23 de mai de 2011

A Santa Inquisição


França, Orleans, 1022. Para quem considerava a Igreja dispensável e acreditava que o Reino de Deus estaria no coração de cada um, foi dado um recado: organizou-se ali o primeiro grande Tribunal Público Medieval contra a heresia. Nas temidas cortes da Inquisição, a acusação era sinônimo de condenação e a condenação uma sentença de morte das mais variadas; flageladas e mutiladas pelos torturadores, a carne dilacerada e os ossos quebrados, as vítimas confessavam coisas absurdas; os que tivessem sorte seriam decapitados ou mortos de maneira relativamente mais humana; os azarados, queimados vivos e em fogueira de madeira verde para que a agonia se prolongasse. Os inquisidores estavam ali enquanto o fogo martirizava a vítima, e incitavam-na, piedosamente, a aceitar os ensinamentos da "Igreja" em cujo nome ela estava sendo tratada tão "misericordiosamente". Para que houvesse um contraste com a tortura pelo fogo, também praticavam a da água: “Amarrando as mãos e os pés do prisioneiro com uma corda trancada que lhe penetrava nas carnes e nos tendões, abriam a boca da vítima a força despejando dentro dela água até que chegasse ao ponto de sufocação ou confissão...” Foi uma verdadeira passagem de terror, que durou aproximadamente 300 anos ceifando a vida de milhares de inocentes que não tiveram nem a opção de lutar pela sua própria liberdade de expressão. Esse frenesi de ódio e homicídio alastrou-se como fogo em diversos lugares incendiando a vida civilizada; França, Itália, Alemanha, Espanha, Países Baixos, Inglaterra, e por um breve período, saltaria o Atlântico inflamando até o Novo Mundo.

9 de mai de 2011

Os Arcos da Lapa







"Cada capital da Europa possui um monumento célebre que imprime à cidade um caráter próprio. No Rio de Janeiro, é o Aqueduto da Carioca, com sua ordem de arcadas, sua aparência de construção romana, sua forma elegante e graciosa que de todos os lados a vista procura...".

A declaração do historiador francês Ferdinand Denis refere-se a um dos principais símbolos da cidade do Rio de Janeiro – o Aqueduto da Carioca, popularmente conhecido como Arcos da Lapa. Promovida pelo governador Ayres Saldanha e considerada a mais importante obra do Rio de Janeiro colonial, o Aqueduto da Carioca foi construído em 1723 e tinha como objetivo levar as águas do rio Carioca até o Largo da Carioca, sanando o problema de falta de água na cidade. A água abastecia o famoso chafariz do Largo da Carioca, que passou a ser ponto de encontro de escravos e mercantes, e centro da vida urbana da época. A imponente construção em estilo romano, com 17,6 m de altura e 270 m de extensão, e 42 arcos que ligam o Morro do Desterro (atual bairro de Santa Teresa) ao Morro de Santo Antônio, logo estava em ruínas. Foi reformada em 1744, pelo governador Gomes Freire de Andrada, que lhes proporcionou maior solidez. No Século XIX, o aqueduto tornou-se obsoleto e foi desativado, passando (em 1896) a ser utilizado como viaduto de acesso dos bondes de Santa Teresa - único sistema de bondes ainda existente no Rio, que imprime ao bairro um aspecto peculiar e histórico.