28 de ago de 2008

O Baile


O ocaso do Império brasileiro não poderia estar melhor simbolizado do que pelo derradeiro baile da Ilha Fiscal(foto), realizado em 9 de novembro de 1889, apenas seis dias antes da proclamação da República. Reunindo entre quatro e cinco mil pessoas, a festa tinha como motivação homenagear oficiais da marinha chilena que haviam aportado pouco antes no Rio de Janeiro. Com tal gesto, o Estado imperial pretendia mostrar aos históricos rivais argentinos que uma nova composição de forças surgia no continente, barrando possíveis ambições expansionistas de seus vizinho dos pampas. No palácio de estilo gótico(hoje parte integrante do complexo Cultural da Marinha), foi servido aos convidados um requintado buffet de carnes e peixes variados, regados a excelentes vinhos e champagnes. Enquanto isso, no cais, o povo era distraído por uma banda da polícia com lundus e fandangos, danças que contrastavam com o refinamento das valsas e polcas que embalavam políticos e oficiais... O comportamento dos participantes foi largamente explorado (a imprensa da época noticiou que peças íntimas foram encontradas na ilha depois da festa), no evento que marcou a melancólica despedida da monarquia.

Recomendação do dia: O livro "A Formação das Almas - O Imaginário da República do Brasil", de José Murilo Carvalho, ed.Companhia das Letras, onde o autor - com os olhos no final do século XIX - nos oferece um curioso passeio pelo momento de implantação do regime republicano através de imagens. Entre texto e ilustrações, aprendemos como mitos criados para a República - seus heróis, a bandeira verde-amarela e o nosso hino - traduzem com fidelidade as batalhas travadas pela construção de um rosto para a República brasileira.